terça-feira, 16 de junho de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

BERLIN FASHION WEEK 2009: Espaço para novos talentos


Dentre as mais de 150 semanas de moda que acontecem no mundo atualmente chega a vez de Berlim brigar por seu lugar de metrópole da moda. A Berlin Fashion Week, patrocinada pela Mercedes-Benz como as grandes Paris, Milão e Nova York, é recente, acontece pela quarta vez, de 28 de janeiro 01 de fevereiro. Este ano, as tendências do outono/inverno 2010 vão se concentrar no coração histórico da cidade, a praça Bebelplatz, mas outros pontos da cidade, como a antiga estacão Postgüter, em Berlin-Kreuzberg, e a rua Torstraße, também receberão eventos da Fashion Week.

Um dos destaques desta edição é o "Showroom Meile", que teve seu debute em julho de 2008 e atraiu 60 mil visitantes às vitrines abertas ao público ao longo da avenida Unter den Linden, onde fica a famosa catedral de Berlim, até Alexanderplatz. Cerca de 50 novos designers berlinenses e quatro escolas de moda locais, como Akademie Mode & Design Berlin e FHTW, apresentam desde saias experimentais até roupas feitas a partir de papel.

A crise financeira mundial não teve grandes reflexos num setor composto por várias empresas de pequena escala como a moda. A diferença deste ano é que a rede Karstadt, que patrocinava o prêmio "New Generation Award" retirou seu apoio, mas foi logo substituída pela Peek & Cloppenburg, que patrocina o prêmio agora chamado de "New Designers for tomorrow", também um incentivo aos novos talentos.

--- Publicada em www.alemanja.org ---

I Encontro de produtores Brasil-Alemanha


Apesar do Brasil este ano não concorrer ao Urso de Ouro da Berlinale, como é chamado o Festival de Cinema de Berlim, que ocorre de 5 a 15 de fevereiro, alguns produtores brasileiros podem comemorar. No segundo dia da 59ª edição do festival alemão, eles participam de um evento paralelo - o I Encontro de Produtores Brasil-Alemanha - e concorrem a uma co-produção com o país.

Uma comissão formada por integrantes da Ancine (Agência Nacional do Cinema) e do programa Cinema do Brasil selecionou seis, de 60 projetos de longa-metragem brasileiros. Dentre os escolhidos estão os diretores Karim Aïnouz (de "Céu de Suely"), Heitor Dhalia (de "Cheiro do Ralo") e Cao Hamburguer (de "O Ano em que meus pais saíram de Férias").

Produzindo um filme de ficção que será dirigido por Vicente Ferraz (de "Soy Cuba, Mamute Siberiano") e rodado na Itália, Isabel Martinez está esperançosa com o encontro na Alemanha. "Uma parceria internacional é fundamental para realizarmos este filme. Estamos negociando com possíveis co-produtores italianos, mas investimos neste encontro na Alemanha porque a história do filme tem a ver", conta a produtora. "A Montanha", como é entitulado o longa, é sobre os pracinhas brasileiros que foram à 2ª Guerra Mundial.

Em Berlim, cada produtor terá dez minutos para apresentar seu projeto de forma estruturada (pitching) a uma banca de produtores alemães. A iniciativa é fruto de uma parceria entre Ancine, German Films e Filmförderungsanstalt (FFA), com apoio do Cinema do Brasil, que terá um estande representando o cinema brasileiro no museu Martin Gropius Bau. O programa acompanha uma delegação de 20 produtores brasileiros à Berlinale.

--- Publicada em www.alemanja.org ---

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Multiplicação de células-tronco embrionárias: pesquisa pioneira no Brasil




Enquanto os EUA pensam em ano que vem já colocar em prática testes de terapia a partir de células-tronco embrionárias, no Brasil a permissão oficial para o uso dessas células em pesquisas só saiu oficialmente pelo Superior Tribunal Federal em maio deste ano. Ao contrário do que pode sugerir a burocracia brasileira, graças a pesquisadores da USP e da UFRJ, desenvolvemos metodologias inovadoras e estamos a caminho de criar novas tecnologias neste campo da ciência. Em outubro, no III Simpósio Nacional de Terapia Celular, foi apresentada a obtenção da primeira linhagem 100% nacional das células-tronco embrionárias.
O engenheiro químico Paulo André Nóbrega Marinho, doutorando da Coppe-Ufrj (Coordenação dos Programas de Pós-graduação em Engenharia) está engajado numa pesquisa pioneira no país: aumentar a escala de produção das células-tronco embrionárias. O mérito da pesquisa é a aplicação de uma metodologia nacional que usa biorreatores para o cultivo das células-tronco ao invés de placas. “Dos artigos científicos do mundo, 99% reportam o cultivo de células utilizando as placas e para as terapias é impossível trabalhar com placas. Um reator produz a mesma quantidade que mil placas” – conta Paulo André, explicando, como gosta de frisar que “sem medo de errar” o Brasil está hoje junto com o mundo na parte de tecnologia de “escalonamento”, ou multiplicação de células.

As células-tronco embrionárias são a origem de todas as demais células do organismo, um biomaterial com potencial para a reposição de tecidos do corpo. Para que no futuro possam ser usadas na terapia de doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson, é preciso otimizar as condições de cultivo dessas células em laboratório e principalmente ampliar a escala de obtenção delas. Para cada quilo um indivíduo necessitará de cerca de um milhão de células.

Orientado por Lêda Castilho (Coppe - Ufrj) e Stevens Rehen (Centro de Ciências da Saúde - Ufrj) e com os conhecimentos de biologia da também doutoranda Alice Marie Fernandes, Paulo André ambiciona montar biorreatores nacionais, já que os utilizados nos laboratórios brasileiros são importados da Alemanha ou Suíça, têm um custo de cerca de 200 mil reais cada e levam até seis meses para chegar ao Brasil em função das burocracias na alfândega.


Para se ter uma idéia da importância do uso dos biorreatores, num teste clínico com cerca de 100 pessoas, seria necessário mais de mil placas de cultivo monitoradas uma a uma por muitos cientistas. O tratamento ficaria inviável de tão custoso. Ao invés de milhares de placas, a metodologia sugerida utiliza o reator de 5 litros. “O reator otimiza a reprodução das células, porque ele só precisa ser monitorado por um cientista, todas as células produzidas ali recebem as mesmas condições de tratamento e são, portanto iguais.” – esclarece o cientista. Do ponto de vista terapêutico, a produção de células num único ambiente, o reator, é mais fácil e correto, é um sistema mais econômico e prático.

Outro desafio é a definição de meios de cultivo de células-tronco. Ainda utilizam-se células oriundas de camundongo nesses meios e a ciência teme rejeição do corpo humano a esses fibroblastos. Paulo André procura desenvolver um “meio totalmente definido”, ou seja, todo monitorado, onde não restem dúvidas sobre as substâncias ali presentes. “Dois ou três meios totalmente definidos já foram descobertos em pesquisas internacionais, mas o custo para usar esses meios fica inviável para o Brasil, é preciso pagar patente, taxas de importação e do revendedor.” – explica. Ele estima que o custo de um desses meios importados chegue a dois mil reais por litro. Seriam dez mil reais por dia tendo como base o teste clínico para cem mil pessoas. “Temos equipe e competência para produzir o nosso, por que não tentar?” – diz confiante.

Uma das prova de que o que fazemos aqui é reconhecido internacionalmente é o professor Allysson Muotri, que apesar do nome, é brasileiro e professor da UCSD (University of California San Diego). Colega de Stevens Rehen no pós-doutorado nos EUA, Muotri vai dar aulas a Paulo André, que passará o próximo ano na Califórnia, continuando os estudos iniciados nos laboratórios da Coppe.