
Instaurada a polêmica em torno da retomada da construção da Usina Nuclear de Angra 3, que desde julho está com licença prévia do governo, volta à baila a questão do uso da energia nuclear, disseminada como limpa por não poluir o ar com CO2. O Bradesco foi conversar com a artista Alice Miceli para aprofundar a discussão e vê-la por outro prisma, que não o dos especialistas em meio ambiente.
Formada em cinema na École Supérieue d`Étude Cinématographic em Paris e com especialização em história da arte e arquitetura pela PUC-Rio, Alice Miceli é um dos jovens artistas contemporâneos do Brasil que ganham espaço na cena internacional. Carioca de 28 anos, Alice vive há cerca de um ano e meio em Berlim, investindo energias no Projeto Chernobyl.
Intitulado Marcas do Invisível, o projeto vencedor do Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia em 2006, ambiciona tornar visível a radioatividade excessiva de Chernobyl, na Bielo-Rússia, onde aconteceu o maior acidente nuclear da história, em abril de 1986. Antes de ir a campo, a artista passou um ano pesquisando no Instituto de Radioproteção e Densidometria do Rio de Janeiro e com a ajuda de seu orientador Luiz Tauhata, desenvolveu uma câmera pin-hole de chumbo, especialmente criada para ir até a zona de exclusão. A máquina de mais de 60 quilos, trazida do Rio até a Alemanha, capta os raios gama ao invés da luz. O que ela revela é mais parecido com um raio-x do que com uma fotografia, são manchas azuladas que remetem às partes contaminadas pela radiação.
Depois de três estadas em Gomel, cidade bielo-russa com estrutura de hospedagem mais perto da área protegida, a uma média de uma hora de carro de lá, Alice revelou há menos de um mês os primeiros negativos e ficou animada com o resultado. “Os impressos dos negativos 40x30cm são promissores. Dos pequenos pin-holes que espalhei ainda não dá para ter idéia do que vai dar realmente para ver.” – conta a artista em entrevista num café em Prenzlauer Berg, o bairro onde morou assim que chegou à Alemanha. No momento ela vive em Kreuzberg, “para conhecer outro lado da cidade também”.
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